Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Velhas tentações...

As tentações de Hugo Chávez, disso que os estudantinhos universitários chamam de esquerda, com a RCTV são idênticas àquelas que a DER SPIEGEL relata em relação ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, que estes mesmos estudantes chamam de reacionário.
Os estudantinhos universitários que admiram Chávez, além de desinformados, usam All Star, perfumes importados e têm pelo menos dois cartões de crédito de bandeira internacional na carteira. São, via de regra, classe B e rendem-se ao quanto pior melhor.
Chávez e Sarkozy, ao criar um paralelo para tentar o controle da mídia, tornam-se pateticamente parecidos. E nocivos.

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Sarkozy tenta controlar a mídia francesa
Nils Klawitter e Stefan Simons
Mais do que qualquer outro político, o presidente Nicolas Sarkozy beneficia-se com a crescente obsessão da mídia com as celebridades. O "telepresidente" da França, orquestra a política como um "reality show" - e agora ele pretende apertar seu cerco à televisão pública. Nicolas Sarkozy tinha algo diferente em mente para sua aparição na televisão na segunda-feira da semana passada. O presidente francês queria explicar aos jornalistas da France 3, rede pública de televisão, como ele usaria a presidência do Conselho da União Européia para impedir que a Europa implodisse e como tinha resolvido os problemas com os pescadores franceses que protestavam.Entretanto, não foi a entrevista de uma hora que deixou uma impressão duradoura na França. Foi o episódio que ocorreu logo antes da entrevista, quando as câmeras estavam rodando e Sarkozy disse bom dia ao técnico que instalava seu microfone. O homem não respondeu a saudação. O presidente afrontado resmungou: "Quando você é um convidado, o mínimo que você pode esperar é que as pessoas digam bom dia"."Inacreditável", acrescentou. "E chocante". Depois, duas vezes: "Isso vai mudar."Essa breve seqüência vazou para a revista de Internet chamada Rue89. Em 24 horas, mais de um milhão de pessoas na França tinham visto a cena. O clipe de um minuto diz muito sobre o estilo de Sarkozy e seu relacionamento com a mídia. Se você estiver do lado dele, ele lhe entregará uma citação cativante, uma informação privilegiada ou uma foto com sua nova mulher, a cantora pop e modelo Carla Bruni. Um repórter veterano no palácio presidencial do Eliseu diz que Sarkozy é "uma fonte excelente". Mas se você não estiver do lado dele, terá problemas. Como a France 3.A recepção que Sarkozy recebeu quando chegou na estação foi menos do que presidencial. Mais de 400 funcionários fizeram uma manifestação contra seu plano para proibir a propaganda na televisão pública. O que Sarkozy está tentando vender com um plano para liberar a televisão de serviço público da "tirania do Ibope" é visto por manifestantes como a erosão de uma instituição. Não foram garantidos fundos para substituir a perda na receita, e a propaganda migraria para canais privados, como o TF1, de propriedade do magnata imobiliário Martin Bouyges - padrinho do filho de Sarkozy, Louis.Por quase trinta anos, a televisão francesa serviu como parque de diversão experimental para os presidentes. François Mitterrand criou os canais La Cinq, TV6 e Canal Plus. Jacques Chirac privatizou o TF1. Agora, Sarkozy quer reformar completamente o France Télévisions, rede de transmissão pública do país. Ele pretende reformar essa organização da mídia com 11 mil funcionários "do piso ao telhado".Conforme ele próprio admitiu, Sarkozy é filho da televisão da era moderna. Seus programas favoritos incluem a cobertura esportiva do Tour de France e "Star Academy", e ele parece ter sua própria noção do que é variedade da mídia. No futuro, o próprio presidente quer nomear o diretor da France Télévisions. Ele vê a televisão estatal como um negócio e diz que "é o acionista majoritário quem seleciona o diretor da empresa".Com efeito, ele parece querer integrar a televisão pública com a estratégia de comunicação do palácio do Eliseu. Sarkozy, o telepresidente, chama isso de dar "um teor educacional" as suas políticas."Como uma corte real""É um retrocesso de 40 anos", diz Jean-François Tébaldi, sindicalista do France 3. "Estamos de volta à televisão estatal que tínhamos com de Gaulle". Na época, o ministro da informação podia apertar um botão na sua sala, falar com os produtores de televisão e ditar os tópicos do dia.A influência de Sarkozy é mais sutil. "É como uma corte real", diz o jornalista Daniel Schneidermann, cujo programa de crítica da mídia amplamente aclamado "Arrêt sur images" foi cancelado em 2007. "O príncipe nem precisa levantar um dedo". Seu séquito aparentemente antecipa todos os seus desejos.No início dos anos 80, Sarkozy formou laços com pessoas que mais tarde se provaram úteis. Ele foi prefeito do subúrbio rico parisiense de Neuilly e jovem astro do partido conservador RPR. Usando seu escritório para reunir empresários e senhores da mídia, ele estava criando sua rede antes mesmo do termo "networking" ser cunhado.O magnata da defesa Serge Dassault, o herdeiro da aviação Arnaud Lagardère e Martin Bouyges, da indústria imobiliária, são todos amigos de Sarkozy e precisam de contratos públicos para seus principais negócios. Investir na mídia como interesse lateral foi extremamente vantajoso para os oligarcas franceses (ver gráfico).Nos jornais gratuitos publicados pelo industrialista Vincent Bolloré, por exemplo, até visitas moderadamente interessantes de chefes de governo africanos são ampliadas fora de proporção como histórias principais. É bom para Sarkozy assim como para Bolloré, que investe em instalações portuárias nos países que aparecem em evidência em suas publicações.Bolloré permitiu que o presidente usasse seu iate no Mediterrâneo para um cruzeiro de férias. Sarkozy sabe como agradecer seus amigos: ele promove fortemente projetos de construção, usinas nucleares e a venda de caças. Sua agenda o faz correr de um compromisso para outro - e sua hiperatividade pertence à sua imagem.A imprensa tem dificuldades de acompanhar o ritmo incansável do presidente. Nos primeiros doze meses de seu mandato, ele fez 88 viagens, cobrindo um total de 298 mil km. "Todo dia, uma oportunidade de fotografia" - foi o conselho de seu estrategista de comunicação Frank Louvrier, um conselho que Sarkozy levou a sério. A realidade parece ter importância menor. "Só o que conta é a noção que as pessoas têm", diz seu ex-assessor de campanha Laurent Solly, que conseguiu um alto cargo na TF1 após o presidente mexer seus pauzinhos.A vida ocupada de um presidente pode parecer um programa de realidade: Sarko no supermercado, Sarko com vítimas de acidente, entre soldados ou bombeiros ou em pé perto de Kadafi. O presidente na capa aumenta a circulação até de jornais que estão cronicamente no vermelho, subsidiados pelo Estado. E se Carla Bruni ou a ex-mulher Cecília estiverem na primeira página, as vendas do jornal estouram. "A imprensa francesa, de direita e de esquerda, está obcecada com ele", diz Schneidermann.Pobreza, desemprego, energia renovável, déficit orçamentário? As 50 reformas prometidas pelo presidente e muitas novas comissões superam essas questões importantes.Quase não sobra tempo para uma pesquisa detalhada ou questionamento. Se os estivadores em Barcelona realmente trabalharam o dobro que os de Marselha, como disse Sarkozy, então fizeram impressionantes 16,6 horas por dia. Sarkozy recentemente contou ao público francês sobre um desempregado que supostamente recusou 63 ofertas de trabalho - mas a história era uma fabricação completa. Um membro do Escritório de Emprego a havia inventado, e o presidente aceitou-a alegremente. O semanário satírico "Le Canard Enchaîné" em geral é a única publicação a expor tais enganações.Erro sobre SarkozyCom seus críticos, entretanto, Sarkozy tira as luvas. Um caso que chegou às manchetes políticas ocorreu quando o apresentador de notícias Patrick Poivre D'arvor - o rosto mais familiar do país no noticiário do horário nobre - foi demitido pela TF1, depois que, aparentemente, o presidente fez lobby por sua demissão da rede. Poivre D'Arvor certa vez descreveu Sarkozy em uma entrevista ao vivo dizendo que parecia "um garotinho no clube dos garotões" em uma reunião de cúpula do G8.Outra carreira que teve fim foi a de Alain Genestar, editor estabelecido da revista Paris Match. Em agosto de 2005, Genestar publicou fotos de Cecília Sarkozy com seu atual marido.Antes de a edição chegar às bancas, Genestar ligou para o proprietário da publicação, Arnaud Lagardère. Ele também informou Sarkozy - com quem Genestar tinha a intimidade de chamar pelo primeiro nome - por email. Sarkozy era ministro do interior da França na época.Sarkozy ligou para ele alguns dias depois. Genestar nem conseguiu emitir uma palavra. "Eu nunca recebi uma chamada telefônica daquele tipo em minha vida", escreveu em recente autobiografia. A conversa consistia de um monólogo de reclamação de Sarkozy que deixou Genestar "tremendo". Sarkozy culpou o jornalista pela tragédia que tinha atingido sua família e disse que nunca o perdoaria. "Foi aí que eu soube que seria demitido", disse Genestar. Mais tarde, Sarkozy vangloriou-se na frente de jornalistas por ter conseguido a cabeça do editor.Poucos dias depois do telefonema furioso, Lagardère disse a Genestar estava sem emprego. Lagardère, que chama Sarkozy de "irmão", deve muito ao presidente: Sarkozy certa vez acertou um caso de herança envolvendo um negócio do pai.A forma de o telepresidente lidar com a imprensa deixou sua marca no cenário da mídia, mesmo em redes críticas como a France 3. Para evitar o conflito político, a rede está se apressando em encontrar o informante que vazou as imagens do presidente afrontado para o Rue89. France 3 já ameaçou processar a revista de Internet se não divulgar sua fonte prontamente.Por muito tempo, Alain Genestar recusou-se a acreditar no que tinha acontecido. "Se eles criassem caso, imaginei, não seria apenas ruim para mim, mas também para a revista, para Lagardère e para Sarkozy."Ele estava errado sobre Sarkozy, porém. "Com minha demissão, ele provou que algo daquele tipo era possível".

2 comentários:

Oráculo Brasilino disse...

Grande professor, dei uma lida no seu post e vc fala em uma parte sobre a tetativa de controle da midia pelo estado.Com isso me veio a cabeça o projeto do "mensaleiro" ops, senador Azeredo q praticamente acaba com a privacidade da internet q é a midia mais democratica q tem, então ai fica a minha sugestão para um post sobre este assunto.

PS:Tive aula de economia com o senhor 3 anos e meio atras,saudades daquelas aulas hehe. Espero manter o contato vou deixar aqui meu e-mail raphaelcastro13@gmail.com

Flw, abraços

WAGNER BELMONTE disse...

obrigado, raphael. vou estudar o assunto e correr atrás do tema que vc sugeriu. um abraço,
wagner